terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Entristecidos, porém sempre alegres

Entristecidos, mas sempre alegres. (2 Coríntios 6.10)

A Tristeza era bela, mas sua beleza era como a beleza do luar, quando passa através dos ramos das árvores na mata e forma pequenas poças de prata pelo chão.
Quando a Tristeza cantava, suas notas soavam como o doce e suave gorjeio do rouxinol, e em seus olhos havia aquele ar de quem cessou de esperar pela vinda da alegria. Ela sabia, compadecidamente, chorar com os que choram; mas alegrar-se com os que se alegram era-lhe desconhecido.
A Alegria era linda também, e a sua beleza era como a beleza radiante de uma manhã de verão. Seus olhos ainda traziam o riso alegre da meninice, e em seus cabelos pousava o brilho do sol. Quando a Alegria cantava, sua voz se lançava aos ares como a da cotovia, e seus passos eram como os passos do vencedor que jamais conheceu derrota. Ela podia alegrar-se com os que se alegram, mas chorar com os que choram era-lhe desconhecido.
Nós nunca podemos estar unidas”, disse a Tristeza pensativa.
Não, nunca”. E os olhos da Alegria ficaram sérios, quando respondeu. “O meu caminho atravessa campos ensolarados; as roseiras mais lindas florescem quando eu passo, para que as colha, e os melros e tordos esperam minha passagem, para derramar seus mais alegres trinados”.
O meu caminho”, disse a Tristeza afastando-se vagarosamente, “atravessa a mata sombria; minhas mãos só podem encher-se das flores noturnas. Contudo, toda a beleza e valor que a noite encerra me pertencem! Adeus, Alegria, adeus”.
Quando ela acabou de falar, ambas tiveram consciência de uma presença próxima; indistinta, mas com um aspecto de realeza. E uma atmosfera de reverência e santidade as fez ajoelharam-se perante Ele.
Eu O vejo como o Rei da Alegria”, murmurou a Tristeza, “pois sobre a Sua cabeça estão muitas coroas, e as marcas das Suas mãos e pés são marcas de uma grande vitória. Diante dEle toda a minha tristeza está se transformando em amor e alegria imortais, e eu me dou a Ele para sempre”.
Não, Tristeza”, sussurrou a Alegria, “eu o vejo como o Rei da dor; Sua coroa é de espinhos, e as marcas das Suas mãos e pés são marcas de uma grande agonia. Eu também me dou a Ele para sempre, pois a tristeza com Ele deve ser muito mais doce do que qualquer alegria que eu conheço”.
Então, nEle, nós somos uma”, exclamaram com júbilo; “pois somente Ele poderia unir Alegria e Tristeza”.
De mãos dadas, saíram elas para o mundo, para segui-LO na tempestade e na bonança, na desolação do inverno e na alegria do verão, “entristecidos, mas sempre alegres”.

O servo do Senhor
Embora entristecido
Pelas coisas que oprimem
E a batalha cerrada
Porque os dias são maus.
E os tempos, trabalhosos!
Conhece uma alegria
E uma paz interior
Que o mundo não conhece,
E que ninguém lhe tira:
O gozo e a paz de Deus!

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 19/08

E aquele que vive; estive morto

 E aquele que vive; estive morto, mas eis que
estou vivo pelo século dos séculos.
Apocalipse 1.18

As árvores, as flores, as borboletas, a primavera, as vozes de natureza nos falam da ressurreição.
Meditemos e deixemos a nossa alma impregnar-se desta esperança, desta certeza. Até que, como Paulo, mesmo caminhando para a morte, sigamos triunfantes, em certeza de fé e com o rosto sereno e brilhante. Ele vive! – Adaptado

Levou todas as dores o Cordeiro.
Só; rejeitado; verme;
ensanguentado...
Homem de dores”, tão
desfigurado...
Todas as dores sobre Si levou.
As minhas dores sobre Si levou.

Levou os pecados todos
o Cordeiro.
O oculto; o “leve”; o torpe;
o hediondo e cru.
Morreu. Desamparado.
Exposto, nu.
Todo o pecado sobre Si levou.
O meu pecado sobre Si levou.

Levou todas as mortes o Cordeiro.
Trevas.Potências. Desamparado
e brado,
Terremoto e furor!
– “É consumado!”
E toda a morte sobre Si levou.
A minha morte sobre Si levou.

Manhã.
Silêncio. Túmulo vazio.
Paz; salvação:
Perdão, graça, vitória,
Vida –
Vida abundante, eterna!
Glória! Tudo pra mim.

Um pastor estava em seu escritório escrevendo um sermão de Páscoa, quando um pensamento tomou conta dele: seu Senhor estava vivo! Pôs-se de pé num salto, alegremente, e, andando de lá para cá, repetia para si mesmo: “Pois Cristo está vivo, Ele não é o quem ‘Eu era’, mas o grande ‘Eu sou’!” Sim, Ele não é apenas um fato, mas um fato vivo. Gloriosa verdade da Páscoa!
Nós cremos num Senhor ressurreto. Não nos voltemos para o passado para adorá-LO junto ao túmulo, mas olhemos para cima e para a Sua presença em nós, para que adoremos o Cristo vivo. E porque Ele vive, nós também viveremos. – Abbott

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 27/04

Não temas, ó vermezinho de Jacó

Não temas, ó vermezinho de Jacó...
Eis que farei de ti um trilho cortante e novo.
Isaías 41.14-15

Poderiam duas coisas ser mais contrastantes que um verme e um instrumento de trilhar? O verme é tenro, esmaga-se sob uma pedra ou sob uma roda que passa; um instrumento de trilhar é capaz de quebrar sem ser quebrado; é capaz de deixar marca sobre uma rocha. E o Deus poderoso pode converter um no outro. Ele pode tomar um homem ou uma nação que tenha força tal, que venha a exercer uma influência marcante sobre a história.
Portanto, o verme não deve desanimar. O Deus poderoso pode fazer-nos mais fortes do que as circunstâncias. Ele pode dispô-las todas para o nosso bem. Podemos até extrair de um amargo desapontamento uma benção de graça. Quando Deus nos dá uma vontade de ferro, podemos vencer as dificuldades como a lâmina do arado, que abre sulco no solo mais duro. “Farei de ti” – e não o fará?
Cristo está edificando o Seu reino com vidas quebrantadas. Os homens querem somente o que é forte, bem sucedido, vitorioso, inquebrável, para a construção de seus reinos; mas Deus é o Deus dos mal-sucedidos, daqueles que fracassaram. O Céu está ficando cheio de vidas quebrantadas, e não há cana quebrada que Cristo não possa restaurar e transformar em uma gloriosa bênção. Ele pode tomar vida esmagada pela dor ou tristeza e torná-la numa harpa cuja música será toda de louvor. Ele pode nos soerguer do mais triste fracasso terreno à glória do céu. - J. R. Miller

Fui pesada em balança, e achada em falta.
Cercada por estranha situação,
Provei-me aquém da situação: em falta.
Vi no meu ser coisas que eu não sabia!
(Mas Tu sabias; ainda assim me amavas.)
Na Tua cruz as deixo, Salvador.

E eis, meu Senhor, o coração em falta -
Opere a tua suficiência em mim.
Graças Te dou, que assim me revelaste:
O meu vazio, e o suprimento em Ti!

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 15/03

Por que te conservas longe, Senhor

Por que te conservas longe, Senhor? Salmos 10.1

Deus é “socorro bem presente na angústia”. Mas Ele permite que as tribulações nos alcancem, como se estivesse indiferente à sua pressão perturbadora, para que cheguemos ao fim de nossas próprias forças e descubramos o tesouro escondido, o imenso lucro da tribulação. Podemos estar seguros de que Aquele que permite o sofrimento está conosco na dor. Pode ser que só O vejamos quando a aflição já estiver passando, mas precisamos atrever-nos a crer que Ele nunca sai de perto do crisol. Nossos olhos estão vendados e não podemos ver Aquele a quem amamos. Está escuro – as vendas nos cegam, de forma que não podemos enxergar a figura do Sumo Sacerdote: Ele está ali, profundamente compadecido. Não consideremos os nossos sentimentos, mas a Sua imutável fidelidade; e embora não O vejamos, falemos com Ele. Assim que começamos a conversar com Jesus, crendo na Sua real presença, embora nos esteja velada, vem-nos em resposta a Sua voz – que nos prova que Ele está ali no meio da sombra, velando sobre o que é Seu. O Pai está tão perto quando passamos pelo túnel, como quando caminhamos sob o céu aberto.

Comigo estás, Senhor
Embora eu não Te veja,
Sei muito bem que Tu comigo estás.
Segura forte a minha mão na dor;
Cerca o meu coração com Teu amor;
Ergue a minha alma, e que ela firme esteja.
Repouso em Ti, Senhor.
Comigo estás.

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 23/01

Orar sempre e nunca esmorecer

Orar sempre e nunca esmorecer. Lucas 18.1

Vai ter com a formiga”. Tamerlane costumava contar aos amigos uma estória de sua mocidade. “Certa vez”, dizia ele, “para escapar dos inimigos, fui forçado a me esconder nas ruínas de um edifício, e passei ali sentado muitas horas. Desejando distrair a mente da triste situação em que me achava, fiquei olhando uma formiga que subia por uma parede, carregando um grão de trigo maior do que ela; contei todas as suas tentativas para alcançar o objetivo. O grãozinho caiu sessenta e nove vezes, mas o inseto perseverou, e, ao completar setenta vezes, alcançou o topo. Aquela cena me deu coragem no momento, e nunca esqueci a lição”. – The King’s Business
A oração que toma como razão para desânimo o fato de orações passadas não terem sido respondidas, já deixou de ser a oração da fé. Para a oração de fé, a ausência de resposta é apenas evidência de que o momento da resposta está muito mais perto. De princípio a fim, as lições e os exemplos do Senhor nos ensinam: a oração que não persevera, não insiste no pedido e não se renova mais e mais, tomando forças de cada petição anterior, não é a oração que prevalece. – William Arthur
Certa vez o grande músico Rubenstein disse: “Se passo um dia sem praticar, eu noto a diferença; se passo dois dias, meus amigos notam a diferença; se passo três dias, o público nota a diferença”. É como se costuma dizer: a perfeição vem com a prática. Assim, pois, continuemos a fazer a Sua vontade. Em qualquer ramo da arte, por exemplo, se alguém deixar de praticar, sabemos qual será o resultado. Se apenas usássemos em nossa vida religiosa o mesmo tipo de senso comum que usamos em nosso viver diário, caminharíamos para a perfeição.
Este era o moto de Davi Livingstone: “Eu resolvi nunca parar sem ter chegado ao fim e cumprido o meu propósito”. Com firme persistência, e confiante em Deus, ele venceu.

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 19/01

Porque para mim tenho por certo

Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente
não são para comparar com a glória porvir a ser revelada em nós.
Romanos 8.19

Há um fato curioso a respeito da mariposa imperial: ela sai do casulo por uma abertura que nos parece pequena demais para o seu corpo. E, interessante, não deixa vestígio de sua passagem: um casulo vazio é tão perfeito como um casulo ocupado. Vim a saber que, segundo se supõe, a exígua abertura desse casulo é uma provisão da natureza para forçar a circulação dos humores nas asas da mariposa, asas que ao tempo da eclosão são menores que as dos outros insetos congêneres.
Certa vez guardei por bom tempo um desses casulos, que têm interessante forma cilíndrica. Estava ocupado. Eu anelava por ver chegar o dia da saída do inseto. Finalmente o dia esperado chegou: e lá fiquei eu uma manhã inteira, interrompendo a todo momento o meu serviço, para observar a trabalhosa saída da mariposa.
Mas, no meu entender, aquela saída estava trabalhosa demais! Pensei que talvez fosse por ter o casulo ficado tanto tempo fora de seu habitat, quem sabe se em condições desfavoráveis. Podia ser que suas fibras se tivessem ressecado ou enrijecido. E agora o pobre inseto não teria condições de sair dali.
Depois de muito pensar, arvorando-me em mais sábio e compassivo que seu Criador, resolvi dar-lhe uma pequena ajuda. Tomei uma tesoura e dei um pique no fiozinho que lhe embaraçava a saída. Pronto! Sem mais dificuldades, lá saiu a minha mariposa, arrastando um corpo intumescido. Fiquei atento e curioso para ver a expansão de suas asas encolhidas, o que é um espetáculo admirável aos olhos do observador. Olhava curiosamente aqueles minúsculos pontos coloridos, ansioso por vê-los dilatarem-se, formando os desenhos que fazem da mariposa imperial a mais bela de sua espécie. Mas, nada... e o fenômeno nunca se deu!
Em minha pressa de ver o inseto em liberdade, eu havia, sem o saber, impedido que se completasse o laborioso processo que estimularia a circulação nos minúsculos vasos de suas asas! E a minha mariposa, criada para voar livremente pelos ares, atravessou sua curta existência arrastando um corpo disforme, com asas atrofiadas.
Muitas e muitas vezes tenho-me lembrado desta mariposa quando observo, com olhos compassivos, pessoas que se estão debatendo em meio a sofrimento, angústias e dores. Eu de bom grado lhes cortaria a disciplina e daria liberdade. Homem sem visão! Qual dessas dores poderia sem dano ser poupada? A perfeita visão, o perfeito amor, que deseja a perfeição de seu objeto, não recua por uma fraqueza sentimental diante do sofrimento presente e transitório. O amor de nosso Pai é muito verdadeiro para fraquejar. Porque Ele ama Seus filhos, Ele os corrige, a fim de fazê-los participantes da Sua santidade. Com este glorioso fim em vista, Ele não nos poupa o pranto. Aperfeiçoados através do sofrimento, como seu Irmão mais velho, os filhos de Deus são exercitados na obediência e trazidos à glória, através de muita tribulação.

Extraído do livro Mananciais No Deserto – Lettie Cowman 09/01


Quando passares pelas águas

Quando passares pelas águas eu estarei contigo.
Isaías 43.2

Deus não abre de antemão o caminho à nossa frente, mas somente à medida que vamos dando cada passo. Ele não promete enviar ajuda antes de ser necessário. Ele não retira os obstáculos do caminho antes de chegarmos a eles. Mas quando chegamos ao extremo da nossa necessidade, ali está a mão de Deus, estendida. Muitos se esquecem disto e estão sempre ansiosos por causa das dificuldades que prevêem para o futuro. Esperam que Deus esteja aplanando e abrindo o caminho, quilômetros à sua frente, quando Ele prometeu fazê-lo passo a passo, segundo a necessidade. Precisamos antes chegar às águas e entrar em sua correnteza, para então clamar pela promessa. Muitos temem a hora da morte e queixam-se de não terem “graça para morrer”. É claro; não têm graça para morrer, enquanto estão com saúde, no meio dos afazeres diários, com a morte ainda à distância. Por que teriam a graça agora? É de graça para os afazeres, que precisam no momento – graça para viver. De graça para morrer precisarão quando chegar a hora da morte. – J. R. M.
Disseste:
Ao passares pelas águas,
Estarei contigo”.
Passei por águas fundas...
E o que eu ouvira com meus
ouvidos,
Então provei –
Tua presença esteve comigo!
E eu Te vi no sofrer.


Disseste:
Ao passares pelos rios,
não te cobrirão”.
Passei por rios turvos!...
E o que eu ouvira com meus ouvidos,
Passei a ver –
A Tua mão me susteve à tona.
E provei que és fiel.

Disseste:
Ao passares pelo fogo, não te queimarás”.
... Eu não passei por fogo...
Porém, se um dia passar,
(Meu Deus!) Eu sei
Que estás velando pela Palavra,
E a cumprirás!
Pois eu ouvia com meus ouvidos,
Senhor, mas hoje,
Os meus olhos Te vêem.

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 06/01