domingo, 13 de fevereiro de 2022

O CAMINHO POR EXCELÊNCIA

 

    “E eu passo a mostrar-vos ainda
 um caminho sobremodo excelente.” (1 Coríntios 12.31).

Amor é uma das palavras mais ricas do vocabulário, mas, que por conta do seu alcance, acaba esvaziada em si mesma. Muito se escreveu e se escreve sobre o amor, seja em poesias, canções, filmes e livros. Enfim, como não há limite para se falar sobre o amor, logo, dentre as possibilidades, nos deteremos em uma apenas: a renúncia que legitima o amor.

Ao discorrermos sobre essa renúncia na prática do amor nos referimos à atitude desinteresseira em nossos atos para com o próximo, ou seja, tudo o que fizermos e todas as nossas motivações têm apenas o nosso semelhante como objetivo. Esse é o amor abnegado, quando não esperamos receber nada em troca. Isso diz respeito tanto ao nosso relacionamento com Deus quanto com os que estão à nossa volta, independentemente da relação que temos com eles.

É deste tipo de amor que Jesus fala, que Paulo descreve em 1 Coríntios 13 e para o qual João aponta em sua primeira carta. Este amor não faz cálculos políticos sobre o retorno de suas ações, não se preocupa em ser reconhecido e não considera o próximo como devedor por ter sido objeto do amor. A fé e a esperança um dia passarão por se concretizarem, mas o amor não; jamais terá fim, pois nos acompanhará pela eternidade, sendo o padrão dos relacionamentos no reino futuro de Cristo.

Extraído do livreto Cada Dia – 13/02/22

sábado, 12 de fevereiro de 2022

UMA FÉ QUE TRABALHA

 

     “Recordando-nos, diante no nosso Deus
 e Pai, da operosidade da vossa fé.” (1 Tessalonicenses 1.3).

A fé cristã pode ser entendida de várias maneiras na Bíblia. Por exemplo, como um dom que nos capacita a crer em Cristo, ou como a confiança que devemos ter em Deus em todos os momentos da nossa vida e até como o conjunto de verdades reveladas recebidas dos apóstolos. Porém, ela também é descrita como uma ação prática que confirma em atos o que afirmamos em palavras. Isto aponta para o fato de que o Evangelho é mais do que a habilidade em repetir fórmulas teológicas, mas, viver em obediência aos mandamentos de Jesus.

Sim, os credos e as confissões de fé são importantes, pois nos dão balizas que nos auxiliam a interpretar a fé cristã num contexto histórico e a não cairmos em erros doutrinários. Contudo, há também o perigo deste tipo de reflexão se transformar em mera curiosidade. Por isso Paulo elogia a operosidade da fé dos crentes na cidade de Tessalônica e Tiago enfatiza que a fé sem obras é morta.

Tanto a esperança quanto a fé fazem parte, junto com o amor, daquelas virtudes que ficaram conhecidas na tradição cristã como virtudes cardeais, ou seja, responsáveis por orientar a vida do discípulo de Cristo. Logo, num momento em que evangélicos são mais conhecidos pelo seu poder midiático ou influência política, impõe-se traduzir a fé em atos de serviço e amor ao próximo.

Extraído do livreto Cada Dia – 12/02/22


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

FIRMES NA ESPERANÇA

 

    “Bendito o Deus e Pai que [...] nos
 regenerou para uma viva esperança.” 1 Pedro 1.3

Para muitos, talvez a esperança possa ser comparada à linha do horizonte. Por mais que você a enxergue e se aproxime, ela sempre se distanciará. Serve como um ponto no futuro, mas inatingível. No entanto, a esperança da qual fala o Novo Testamento é muito mais do que mera expectativa de futuro melhor. É uma bênção concedida aos que foram regenerados pelo Espírito Santo, que os anima na jornada cristã e lhes dá convicção de que alcançarão as promessas de Deus.

Muitas coisas podem ser falsificadas ou imitadas na religiosidade humana, mas a esperança não é uma delas. Ela pode ser alimentada ou passar momentos de crise, contudo, não pode ser fabricada, pois somente o cristão tem um objeto muito específico quanto ao que espera. Esta esperança está posta no que Deus prometeu, na herança eterna e na salvação preparada para seus filhos. Mais do que otimismo, é a certeza de que alcançaremos este horizonte.

A esperança para o cristão também serve como um elemento que ajuda a colocar a nossa vida dentro de uma perspectiva correta. Por causa do que esperamos não colocamos nosso coração naquilo que é transitório, como bens, fama ou poder. Mas, também por ela, suportamos os sofrimentos desta vida, confiantes no que está reservado para os filhos de Deus.

Extraído do livreto Cada Dia – 11/02/22

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

NADA ALÉM DA VERDADE

 

   “Seja, porém, a tua palavra:
 Sim, sim; não, não.” (Mateus 5.37).

Ao longo do tempo o ser humano criou mecanismos para que os compromissos assumidos fossem cumpridos, tanto os de natureza religiosa quanto os civis. Por isso temos testemunhas, leis, contratos, registros, cartórios e juramentos. Ao mesmo tempo que estas instituições normatizam a convivência social, também revelam o quão pouco confiáveis somos, pois precisamos ser controlados por ferramentas externas. Até mesmo o crime de falso juramento foi tipificado para se garantir a verdade.

Contudo, apesar de importantes, essas precauções seriam desnecessárias caso seguíssemos o ensinamento bíblico que é o de não mentir e promover a verdade. Porém, infelizmente, mais do que nunca, temos infringido este mandamento. Desde um simples, “estou chegando”, quando na verdade nem começamos a nos arrumar, até outras mentiras mais deliberadas para obtermos algum tipo de vantagem.

Devido ao avanço das ferramentas de comunicação, como a internet, multiplicam-se também as mentiras, principalmente pelas redes sociais. Colaboramos para isso quando espalhamos informações sem conhecer a procedência, fonte, veracidade e intenção. Assim, destruímos reputações, manchamos nomes e criamos realidades paralelas. A exortação é clara: que o sim, seja sim, que o não, seja não. O que passar disso vem do maligno.

Extraído do livreto Cada Dia – 10/02/22

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

A VERDADEIRA PUREZA

 

    “Se o teu olho direito te faz tropeçar,
 arranca-o e lança-o de ti; [...].” (Mateus 5.29,30).

Em Provérbios 4.23 lemos que o coração é o bem mais precioso que se deve guardar, pois dele procedem as fontes de vida. No entanto, isto não pode ser feito sem uma grande dose de disciplina e auxílio do alto. Tanto é que Jesus a compara a arrancar um olho ou cortar um braço caso eles nos façam pecar. Mas, qual o motivo desta advertência e a sua relevância? A resposta é que, tanto quanto a violência, a impureza nasce no coração.

Não muito diferente da sociedade judaica no primeiro século, vivemos uma religiosidade legalista, em que as pessoas são rotuladas ou julgadas por um padrão que entendemos superior. Não que os atos não importam, mas o olhar de Deus é mais profundo, pois somos capazes de praticar em oculto o que reprovamos em público.

No texto Jesus está falando sobre o adultério, o que era inaceitável, sobretudo para a mulher. Contudo, Cristo coloca todos na mesma condição ao afirmar que os juízes são tão culpados quanto os réus, uma vez que no coração todos cometem impurezas. Mas, também o Senhor nos dá o remédio que, em muitos casos, é amargo. Logo, numa sociedade em que a impureza foi naturalizada, a luta é mais do que diária. É constante. Olhos, ouvidos, conversas e palavras devem estar sob constante vigilância caso queiramos um coração puro.

Extraído do livreto Cada Dia – 09/02/22

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

VIOLÊNCIA, RECONCILIAÇÃO E CULTO

 

    “Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento [...].” (Mateus 5.22).

Há certo gosto macabro pela violência e pela morte e que ronda a mente de muitas pessoas. O sucesso dos videogames e dos filmes violentos, noticiários sensacionalistas e séries destes gêneros apontam para a constatação. Porém, o problema é até que ponto essa predileção banaliza a vida e anestesia a sensibilidade humanas? É uma questão que merece atenção e estudo. Contudo, esse ambiente hostil não seria reflexo de algo mais profundo e íntimo?

Quando nos Dez Mandamentos Deus disse para não matar, mais do que coibir a violência, o propósito era a promoção da vida, uma das expressões da imagem e semelhança de Deus no homem. Contudo, a tradição religiosa e legalista judaica resumiu este mandamento a mera observação externa. Violento era somente quem matava. Porém, como é feito ao longo do Sermão do Monte, Jesus aprofunda esse mandamento.

A valorização da vida e o respeito ao ser humano começam em nossos sentimentos, ecoam nas palavras e condicionam o nosso culto. A legitimidade das ofertas que tanto valorizamos está ligada à necessidade ou não de reconciliação com aqueles que têm algo contra nós. Dito de outra maneira, o sangue derramado é resultado direto de um mundo interior conturbado e de uma sociedade que desaprendeu a valorizar a vida.

Extraído do livreto Cada Dia – 08/02/22

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

UMA CAUSA NOBRE

 

    “Bem-aventurados sois quando, por minha causa,
vos injuriarem, e vos perseguirem [...].” (Mateus 5.11).

Em alguma medida, cada um de nós necessita de uma causa. Elas têm a capacidade de nos motivar, dar sentido para a vida e o sentimento de importância e relevância tão necessários para a nossa existência como pessoas. Por sua vez, algumas causas podem atrair mais adeptos ou resistências do que outras. Umas ficam um tempo na moda e logo desaparecem e há outras que atravessam séculos.

No Sermão da Montanha, o salvador Jesus Cristo nos lembra que nem sempre a causa que leva o seu nome nos trará os benefícios que desejamos. Na verdade, poderá ser a fonte de muitos problemas. Porém, aqui temos de tomar cuidado, pois essa bem-aventurança diz respeito à causa de Jesus e não à nossa, que para legitimá-la, por vezes, dizemos que é a de Cristo.

Logo, essa perseguição é a que vem sobre os humildes de espírito, aos que choram, aos mansos, aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos limpos de coração e aos pacificadores. Ou seja, pode não ter relação com a nossa agenda pessoal. Nestas condições e a estes é que Jesus prometeu uma recompensa nos céus (e não aqui), que ao certo não sabemos o que é, mas, com certeza, tem a ver com a expressão de servo bom e fiel. Se por causa do nome de Cristo, e não do nosso, formos perseguidos, caminhamos em direção à bem-aventurança prometida.

Extraído do livreto Cada Dia – 07/02/22