domingo, 25 de junho de 2023

O ROMANO QUE JESUS ADMIROU

 


Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele...” (Lucas 7.9).

O natural é que nós venhamos a nutrir admiração por Jesus. Ele ficar admirado conosco parece ser algo mais distante. Todos os dias nos surpreendemos com a bondade de Deus. Ele ficar surpreso conosco é outra história. Quem é esse homem que causa admiração no Filho de Deus? Não sabemos seu nome, mas sim sua função na hierarquia militar romana. Ele comandava uma centúria, guarnição composta entre 80 e 100 soldados romanos.

Apesar do claro antagonismo que havia entre os judeus e o Império Romano, o testemunho dos anciãos sobre o centurião é: “porque é amigo do nosso povo...” (Lc 7.5). Em que pese na cultura romana um servo ser alguém totalmente descartável (a ponto de ao adoecer promover-se a simples substituição), esse homem se importava com os seus servos. Até aqui, vemos compaixão e generosidade em seu jeito de ser.

Quando Jesus sinaliza positivamente ao pedido do centurião pela cura do servo, esse militar reconhece a suprema dignidade de Jesus. Acresça-se humildade à postura. Sendo homem de autoridade, reconheceu que além dos cargos humanos acima e abaixo dele, existe um trono intangível e inigualável. Ao observar o relato desse milagre de Jesus, torna-se mais compreensível o porquê de Jesus ficar admirado com o homem. Aliás, segundo o próprio Senhor, nem mesmo em Israel ele encontrou fé como essa (Lc 7.9).

Extraído do livreto Cada Dia – 25/07/23

sábado, 24 de junho de 2023

DE ASSENTADO A UM SALTO

 


Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho.” (Marcos 10.46).

Estar assentado à beira do caminho não é algo exclusivo ao cego Bartimeu. Muitas pessoas, sem qualquer cegueira, continuam à margem da vida, carecendo de esperança. Com seus olhos físicos impossibilitados de enxergar, Bartimeu se mostra com excelente visão espiritual. Uma coisa é ouvir que Jesus por ali passava, outra é reconhecê-lo como aquele que é antes de todas as coisas e em quem tudo subsiste (Cl 1.27).

Naquele dia, não imaginava Bartimeu que acordaria de um jeito e dormiria de outro, completamente diferente. Acordou na sua condição física de cego, e social de mendigo. Dormiu curado, retomando a construção da sua vida. Entre o passado e o futuro desse homem, Jesus fez-se presente.

O grito: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim”, continua ecoando até hoje. O que por um tempo faltou a Bartimeu acerca da visão, transbordou pelos ares em potência de sua voz. Não adiantou a repreensão da sociedade para que ele se calasse (Mc 10.48), ele passou a bradar mais. Ninguém pode atar os lábios de um adorador. Foi atribuído a um paraquedista austríaco o maior salto da história, quase quarenta mil metros. Ledo engano. Em Jericó houve um salto muito maior, sem qualquer equipamento: Bartimeu “levantou-se de um salto e foi ter com Jesus”. Em instantes, deixou de ser cego.

Extraído do livreto Cada Dia – 24/06/23

sexta-feira, 23 de junho de 2023

APARÊNCIA

 


... Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!” (Marcos 9.24).

Há uma aparente contradição. É possível crer e ter falta de fé? O pai do menino possesso afirma que crê, mas pede a Jesus ajuda em sua falta de fé. Parece-nos que confundimos fé com algumas coisas. Fé não é apenas conhecimento teológico. Os discípulos discutiam com os escribas (Mc 9.14), mas lhes faltou poder. Fé não é solução humana. “Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam.” (Mc 9.18). As soluções humanas são incapazes de suprir nosso anseio de fé.

Fé não convive com condicionantes. “Se tu podes alguma coisa” disse o pai do menino para Jesus (Mc 9.22). Quando se trata de Jesus não estamos diante de limitações ou ressalvas. Tudo o que Jesus quer, ele pode. Não existe “se” para Jesus. Essa conjunção subordinativa condicional não é aplicável ao Verbo que se fez carne.

Fé não é aparência. “Como se estivesse morto...” é o que dizem do menino (Mc 9.26). A ação poderosa de Jesus foi de potência tal que pareceu que o filho estava morto. Mas, apenas pareceu. Fé não tem a ver com aparência. Não se preocupe com aquilo que aparenta acontecer. A fé é tão sólida quanto uma rocha. Pois bem. Aquele pai crê, mas sua fé podia ser aprimorada. Jesus, antes de operar o milagre, diz ao homem algo que até hoje ecoa em cada coração: “Se podes! Tudo é possível ao que crê.” (Mc. 9.23).

Extraído do livreto Cada Dia – 23/06/23

quinta-feira, 22 de junho de 2023

HOMENS OU ÁRVORES?

 


Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando.” (Marcos 8.24).

A Bíblia Sagrada registra a cura de vários cegos. Para cada um, Jesus tem um jeito especial de realizar o prodígio. O cego de Betsaida foi abençoado com uma peculiaridade: Jesus o tocou duas vezes. Na primeira, ao aplicar saliva nos olhos, Jesus impõe as mãos e o homem passa a ver de forma parcial, confundindo homens com árvores. Jesus adota um método gradual. Primeiro, a completa cegueira impera. Segundo, a visão parcial, isto é, um tanto distorcida. Terceiro, a plena visão.

Árvores não andam. O mínimo de discernimento nos faz perceber que há algo embaçado em determinados cenários. Jesus, em tudo, tem lições preciosas. Que privilégio daquele homem ser tocado duas vezes pelas mãos que regem o universo! Que presente ter seu processo de cura plenamente acompanhado por Jesus! Será que aquele cego sabia que, milênios depois, estaríamos nós aqui encantados com sua história?

Dizer que Jesus transforma não é recurso retórico, tampouco clichê. Nossa história tem suas fases. Antes de Jesus éramos completamente cegos. Agora, “... vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.” (1Co 13.12). Um dia, na glorificação, veremos de forma perfeita. Até lá, que Jesus nos ajude a não confundir homens e árvores.

Extraído do livreto Cada Dia – 22/06/23

quarta-feira, 21 de junho de 2023

ELE FEZ DE NOVO

 


Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos.” (Marcos 8.7).

A primeira multiplicação dos pães e peixes (Mc 6.30-43) foi no território de Israel; a segunda, em ambiente gentio. Na primeira, havia lugar próximo que, segundo os discípulos, quem quisesse poderia comprar algo para comer. Na segunda, o deserto é implacável. Nesse cenário, Jesus sabia que se despedisse a multidão, desfaleceriam no meio do caminho. É impressionante a capacidade dele de discernir o que pode abater um ser humano. A ele nada passa despercebido, sua sensibilidade é, literalmente, divina.

Por mais que momentos de escassez sejam pedagógicos, há um limite que pode custar a própria vida. A fome é uma violência. Quando sua abrangência é de uma multidão, o caos fica instaurado. Jesus, ao ver tamanha concentração de pessoas, mostra-se compassivo. Não se trata de uma compaixão meramente sentimental. A dele é sinônimo de ação. Ele repete algo já feito. Multiplicar é sua especialidade.

Quando se trata de Jesus, ele sempre tem algo a fazer. A caminhada com ele é surpreendente. Será que ele consegue de novo? Pode ter sido o pensamento de alguns. Será que ele também faz no território gentio? Perguntariam os novos na fé em Cristo. O incomparável Senhor entra em ação, a multidão se farta e ainda recolhem sete cestos. Eis uma santa conclusão: quem multiplicou alimentos uma vez, pode fazer de novo.

Extraído do livreto Cada Dia – 21/06/23

terça-feira, 20 de junho de 2023

SEM EMPECILHO

 


Abriram-se-lhe os ouvidos e logo se lhe soltou o empecilho da língua...” (Marcos 7.35).

O verbo empecer costuma ser pouco conhecido. O substantivo empecilho, no entanto, está mais presente no cotidiano. Empecer é provocar prejuízo, encontrar ou causar impedimentos. Empecilho é obstáculo, impedimento. Isto é, o que empece. Quanto a isso, todo ser humano tem seu grau. As agruras da vida são invariáveis quanto à ocorrência. Contratempo, embaraço, incômodo. Tudo isso faz parte da trajetória.

Alguns empecilhos são familiares, outros financeiros. Há na saúde, nas emoções. Empecilhos que tiram o ânimo, que reduzem a capacidade. Existem perdas externas, mas também aquelas dentro de nós. O homem do texto sagrado tinha seu empecilho na língua. Falava de forma embaraçada, se fazia compreender com enorme dificuldade, isto é, quando conseguia. O toque de Jesus mudou tudo (Mc 7.33).

A vida desse homem é nitidamente dividida entre antes e depois do toque de Jesus. A nossa também. Não há limites para o poder do Senhor. “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14). A mais irrisória das dificuldades e o mais tormentoso obstáculo, para Jesus, possuem o mesmo tamanho. Todos os empecilhos caem diante do poder do céu. Não há o que Jesus não possa desembaraçar. O problema daquele homem estava na fala e na audição. Onde está o seu?

Extraído do livreto Cada Dia – 20/06/23

segunda-feira, 19 de junho de 2023

SIM, SENHOR

 


Ela, porém, lhe respondeu: Sim, senhor...” (Marcos 7.28).

Jesus Cristo foi para um território gentio porque “queria que ninguém o soubesse” (Mc 5.24). Assim, ele chega em Tiro [e Sidom], região da Fenícia, parte da Síria, local marcado pela herança idólatra de Jezabel. Tempos antes, Elias, o profeta, também foi para lá querendo que ninguém o encontrasse (1Rs 17.9). Jesus, no entanto, jamais passou despercebido. Poder e santidade saltavam de todos os seus lados.

Ele foi reconhecido por uma mãe. Não temos o nome dela, apenas sua origem. Não era da casa de Israel. No entanto, os problemas chegaram em sua casa. A filhinha estava oprimida por um espírito maligno. A pouca idade não a livrou de uma profunda angústia. Essa família precisava receber paz e, por obra divina, a própria paz estava passando por ali.

Jesus, porém, seguia o itinerário de seu ministério com o seu povo (Mt 15.24). A mulher insiste. Jesus usa uma famosa expressão da época e ela ganha Jesus. Observe: ela não ganha dele, mas ganha a ele. “Sim, Senhor.” é a expressão de seu coração sofrido. Penoso, porém obediente (Mc 5.28). Cristo não resiste a um coração submisso. Ao suplicar pelas migalhas de Jesus, ela recebeu uma grande bênção. Quando se trata de Jesus, não nos cabe dizer “Não, Senhor.” Qualquer pedido deve preceder uma expressão de obediência.

Extraído do livreto Cada Dia – 19/06/23