domingo, 11 de junho de 2023

ATO OU PROCESSO

 


No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.” (Marcos 1.42).

O Senhor Jesus pode curar por ato ou processo. O versículo em destaque relata o modo como Jesus revigorou o leproso: de forma imediata. Lucas, por sua vez, ao registrar outro episódio, relata que Jesus curou dez leprosos com a seguinte afirmação: “Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.” (Lc 17.14). Isso porque naquele tempo, os sacerdotes também exerciam um tipo de autoridade sanitária.

O Senhor estava, em outras palavras, dizendo que iria atender o pedido de cura. Essa, porém, não foi instantânea. Ocorreu enquanto caminhavam. Senão, vejamos: “Aconteceu que, indo eles, foram purificados” (Lc. 17.14). Isto é, a cada passo, uma porção de cura; a cada milha, uma ferida a menos. Em um processo de caminhada as chagas eram removidas. Eis uma profunda verdade: a cura divina pode ser por meio de um ato (Mc 1.42), ou de um processo (Lc 17.14).

Deus pode realizar milagres através de toques imediatos, mas também após (ou durante) tratamentos médicos, intervenções cirúrgicas ou até mesmo sessões de quimioterapia. Jesus, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2.3), age soberana e surpreendentemente. Ao final, tanto o leproso narrado por Marcos, quanto os dez, narrados por Lucas, foram curados. Cada um de uma forma, mas todos restaurados.

Extraído do livreto Cada Dia – 11/06/23

sábado, 10 de junho de 2023

CORAÇÃO QUE NÃO SE ENVAIDECE

 


Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam.” (Marcos 1.37).

O ministério de milagres de Jesus seguia de forma inigualável. Enfermos e endemoninhados eram levados até ele. Toda Cafarnaum estava reunida em torno daquele que “curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios...” (Mc 1.34). Já era madrugada quando Jesus decide orar no deserto. A disciplina espiritual do Filho de Deus é inspiradora. Jesus passa horas na presença do Pai e os discípulos começam a procurá-lo.

Todos te buscam!” É o que dizem ao encontrá-lo. A tendência do coração humano ao ouvir algo assim é ceder à vaidade. Essa afirmação pode gerar no ego humano múltiplos sentimentos: se todos me buscam é porque sou importante. Se todos me buscam é porque todos me têm em alta conta. Se todos me buscam: “Eu sou o cara!”. Nossa vida no piloto automático, isto é, sem a direção divina, chegará nesse ponto de autoengano.

Jesus, ao mesmo tempo cem por cento homem e Deus, não caiu nessa tentação. Pelo contrário, tendo ouvido aquilo, disse: “Vamos a outros lugares...” (Mc 1.38). Jesus não é refém da vaidade, nós também não devemos ser. A agenda do Senhor não é determinada pelos holofotes, por vanglória ou por pressões populares. Sempre é tempo de lembrar que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6).

Extraído do livreto Cada Dia – 10/06/23

sexta-feira, 9 de junho de 2023

A SOGRA QUE NÃO MORREU

 


A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela.” (Marcos 1.30).

O relacionamento com sogra é alvo de inúmeras expressões satíricas e cômicas. Há, no inconsciente coletivo, a ideia de que sogra é sinônimo de conflito. A sociedade, em geral, é reticente em atribuir a essa figura tons de desagrado. Ledo engano. Nós, povo de Deus, não pensamos assim. Família é bênção. Genros e noras devem honrar seus sogros e por eles orar. A recíproca precisa ser verdadeira.

Certa vez ouvi a infame pilhéria de que Pedro teria negado Jesus em virtude da cura de sua sogra. Quanto desconhecimento! Quanta injustiça com aquela que gerou a esposa daquele homem. Ao revés, segundo o texto sagrado, ao saírem da sinagoga, foram com Tiago e João diretamente para a casa de Simão e André (Mc 1.29) e logo falaram para Jesus a respeito dela (Mc 1.30). O movimento de Jesus foi simples: tomou-a pela mão e a febre a deixou. Quanto bálsamo é derramado sobre nós quando seguramos nas mãos de Deus.

Será que aquela febre poderia tê-la levado à morte? Não precisamos dessa resposta. A verdade é que com o toque de Jesus, ela não morreu, foi curada. Imediatamente, dizem as sagradas letras, a sogra começou a servi-los (Mc 1.31). Que dádiva é, após receber um toque das mãos divinas, poder usar a vida em serviço do próximo. Eis uma preciosa lição: somos curados para servir.

Extraído do livreto Cada Dia – 09/06/23

quinta-feira, 8 de junho de 2023

O HOMEM NÃO MAIS POSSESSO

 


Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem.” (Marcos 1.25).

Não se pode esquecer que a possessão demoníaca ocorre quando a personalidade humana passa a ser controlada por espíritos malignos. O homem em questão estava assim, dentro de uma sinagoga (Mc 1.23). Nos lugares mais improváveis as realidades espirituais se manifestam. A saga do inimigo (Mt 13.39) em nos destruir não tem limites geográficos. Entretanto, existe um limite intransponível ao diabo: o Senhor Jesus.

O mal, que não respeita limites, é obrigado a se curvar diante da soberania de Deus. A sentença já foi proferida: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.” (Ap 20.10). Aquele homem era uma marionete das trevas, um fantoche dos espíritos imundos. Estava em um bom lugar, mas dirigido pelo ser errado.

Naquele sábado estava ali alguém que carrega em si toda a autoridade e o poder sobre os demônios. O Senhor Jesus repreende e determina a libertação daquele homem. A dignidade é restaurada. A celebração é preservada. A suprema autoridade é revelada (Mc 1.27). Há, para nós, um brado inconteste: “Não mais!” Não mais prisioneiros do império das trevas, não mais arraigados na impiedade, não mais! Cristo vive em nós (Gl 2.20).

Extraído do livreto Cada Dia – 08/06/23

quarta-feira, 7 de junho de 2023

O AMIGO QUE NÃO CHEGOU

 


Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão.” (João 11.21).

A previsão do tempo hoje é: ele está passando. Os dias sempre passam, os minutos são continuamente do mesmo tamanho. O que muda é a sensação. Quatro dias de casamento produzem uma sensação diferente de quatro dias de luto. Lázaro ficou enfermo, Jesus não chegou. Lázaro morreu, Jesus não chegou. Um dia se passou e nada. Dois, três, quatro. A família está em luto, os dias são longos demais.

Poderia ter Jesus chegado antes da morte do amigo? Essa é a indagação de um coração fúnebre. Conta-se que a tradição rabínica cria que até o terceiro dia poderia haver ressurreição. Já no quarto dia, apenas o próprio Deus poderia ressuscitar alguém. É inevitável a conclusão: o Senhor Jesus é Deus! João 10.31 registra: “Eu e o Pai somos um”. João 14.9 anuncia: “Quem vê a mim, vê ao Pai.” Quando se trata dele, nunca há atraso.

Marta pensou que o amigo Jesus estava fora do calendário dos eventos. Mas ela também cria no caráter divino dele. No cotidiano, todos nós já esperamos por alguém que não chegou. De fato, Jesus não chegou para o sepultamento do amigo Lázaro. O plano era maior: ele apareceu para determinar a abertura do sepulcro. ‘‘Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu...” (Ec 3.1). Não há nada mais seguro do que viver no centro da vontade do dono do tempo.

Extraído do livreto Cada Dia – 07/06/23

terça-feira, 6 de junho de 2023

AQUELE QUE NÃO MAIS MENDIGOU

 


Não é este o que estava assentado pedindo esmolas?” (João 9.8).

Nos termos das conjugações verbais, o vocábulo “estava” encontra-se no pretérito imperfeito, enquanto “assentado” classifica-se como particípio passado. Essa pequena digressão na língua portuguesa serve para ilustrar que a condição daquele homem ficou – literalmente – no passado. Quem era ele? Não sabemos seu nome, mas era cego de nascença. Não sabemos sua idade, mas as circunstâncias o fizeram mendigar.

A cegueira teve um encontro com a luz do mundo (Jo 8.12). A miséria teve encontro com o Pão da Vida (Jo 6.48). Jesus transforma! A Bíblia é certeira ao afirmar que os vizinhos o conheciam, de vista, como mendigo. É preciosa também ao consignar que tal situação ficou no passado. A mão divina não apenas tocou o corpo, mas também as condições de vida. A obra de Cristo é completa e suficiente.

O homem era cego; não é mais. Estava mendigando; não está mais. O contraste entre passado e presente é fantástico. A caminhada com Jesus é repleta de mudanças. Ele redime o passado, abençoa o presente e garante o futuro. É tão bom saber que existem coisas que não são mais atribuídas a nós. Deus “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.” (Cl 1.13,14). Aleluia!

Extraído do livreto Cada Dia – 06/06/23

segunda-feira, 5 de junho de 2023

O BARCO QUE NÃO AFUNDOU

 


Então, eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino.” (João 6.21).

Todo mundo tem história, nem todo mundo faz história. Chegar ao destino projetado não é tarefa isenta de tempestades. A Bíblia relata o lugar que eles queriam chegar e que Jesus ainda não viera ter com eles quando já se fazia escuro (Jo 6.17). A tempestade parece atrapalhar os planos. O mar começou a empolar-se agitado por forte vento (Jo 6.18). O desespero passou a dar o tom da vida dos discípulos.

Eles estavam em obediência (Mc 6.35), mesmo assim a tormenta chegou. A vida abundante que Jesus prometeu não é sinônimo de ausência de lutas. Triunfalismo não combina com fé cristã. Humildade e submissão ecoam melhor no coração de um discípulo. Desertos fazem parte da trajetória. Para quem vive na dependência do Espírito Santo, tais desertos se apresentam como escola, não como cemitério.

A mesma lógica serve para as tempestades: são elas pedagógicas e não terminativas. Jesus anda sobre o mar. Que grande milagre! A lei da física é contrariada, as revoltas águas tornam-se uma retilínea estrada para o Senhor passar. A história daquele barco seria o naufrágio, mas Jesus fez história. Aliás, ele é a própria história. “Sou eu. Não temais!” (Jo 6.20). O verbo afundar não combina com o Verbo Eterno. Os discípulos continuaram, rumo à obediência e o barco cumpriu sua missão.

Extraído do livreto Cada Dia – 05/06/23