terça-feira, 19 de agosto de 2025

Entristecidos

 

Entristecidos, mas sempre alegres. (2 Coríntios 6.10)

A Tristeza era bela, mas sua beleza era como a beleza do luar, quando passa através dos ramos das árvores na mata e forma pequenas poças de prata pelo chão.

Quando a Tristeza cantava, suas notas soavam como o doce e suave gorjeio do rouxinol, e em seus olhos havia aquele ar de quem cessou de esperar pela vinda da alegria. Ela sabia, compadecidamente, chorar com os que choram; mas alegrar-se com os que se alegram era-lhe desconhecido.

A Alegria era linda também, e a sua beleza era como a beleza radiante de uma manhã de verão. Seus olhos ainda traziam o riso alegre da meninice, e em seus cabelos pousava o brilho do sol. Quando a Alegria cantava, sua voz se lançava aos ares como a da cotovia, e seus passos eram como os passos do vencedor que jamais conheceu derrota. Ela podia alegrar-se com os que se alegram, mas chorar com os que choram era-lhe desconhecido.

Nós nunca podemos estar unidas”, disse a Tristeza pensativa.

Não, nunca”. E os olhos da Alegria ficaram sérios, quando respondeu. “O meu caminho atravessa campos ensolarados; as roseiras mais lindas florescem quando eu passo, para que as colha, e os melros e tordos esperam minha passagem, para derramar seus mais alegres trinados”.

O meu caminho”, disse a Tristeza afastando-se vagarosamente, “atravessa a mata sombria; minhas mãos só podem encher-se das flores noturnas. Contudo, toda a beleza e valor que a noite encerra me pertencem! Adeus, Alegria, adeus”.

Quando ela acabou de falar, ambas tiveram consciência de uma presença próxima; indistinta, mas com um aspecto de realeza. E uma atmosfera de reverência e santidade as fez ajoelharam-se perante Ele.

Eu O vejo como o Rei da Alegria”, murmurou a Tristeza, “pois sobre a Sua cabeça estão muitas coroas, e as marcas das Suas mãos e pés são marcas de uma grande vitória. Diante dEle toda a minha tristeza está se transformando em amor e alegria imortais, e eu me dou a Ele para sempre”.

Não, Tristeza”, sussurrou a Alegria, “eu o vejo como o Rei da dor; Sua coroa é de espinhos, e as marcas das Suas mãos e pés são marcas de uma grande agonia. Eu também me dou a Ele para sempre, pois a tristeza com Ele deve ser muito mais doce do que qualquer alegria que eu conheço”.

Então, nEle, nós somos uma”, exclamaram com júbilo; “pois somente Ele poderia unir Alegria e Tristeza”.

De mãos dadas, saíram elas para o mundo, para segui-LO na tempestade e na bonança, na desolação do inverno e na alegria do verão, “entristecidos, mas sempre alegres”.

O servo do Senhor

Embora entristecido

Pelas coisas que oprimem

E a batalha cerrada

Porque os dias são maus.

E os tempos, trabalhosos!

Conhece uma alegria

E uma paz interior

Que o mundo não conhece,

E que ninguém lhe tira:

O gozo e a paz de Deus!


Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 19/08

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

INCOMPARABILIDADE DO SENHOR

 




Com quem comparareis a Deus? Ou que
coisa semelhante confrontareis com ele?” (Isaías 40.18).

Mais uma vez o profeta Isaías lança mão de uma pergunta retórica para carregar nas tintas e enfatizar a grandeza e a singularidade do Senhor. O contexto deste versículo deixa claro que Deus é incomparável em sua grandeza. Ele é soberano, pois governa sobre toda a criação sem precisar de conselheiros para orientá-lo. Diante de sua majestade todas as nações são insignificantes, pois não passam de um vácuo. Nossa confiança não está, portanto, no braço da carne, nem mesmo nos arrogantes governos humanos, mas naquele que está assentado sobre um alto e sublime trono.

O profeta Isaías destaca que o Deus incomparável não se assemelha aos ídolos fabricados pelos homens. Estes nada sabem e nada podem. Porém, o poder de Deus se faz perceber no controle do universo. Os ídolos dos povos são impotentes, mas Deus é onipotente. Deus é, também, incomparável em seu cuidado com o seu povo. É ele quem renova as forças ao que não tem nenhum vigor e nos faz voar como a águia.

Nada, nem ninguém, pode ser comparado ao Senhor. Ele não deriva sua vida, tampouco sua glória, de ninguém. Ele não depende de ninguém para governar nem para se proteger. Ele não precisa ser ensinado, ele é a fonte de todo saber. Ele é único, singular, incomparável. Coloque nele a sua confiança!

Extraído do livreto Cada Dia – 18/08/25

 

          ... Só..." Deuteronômio 32.12

Era íngreme a subida, porém pelo caminho

As vozes animadas, dos outros, me animavam.

Então pensei que assim seria até lá em cima.

E com isso me alentei. Porém, a certa altura,

Um trilho apareceu, estreito e perigoso;

E o Mestre me falou: “Meu filho, neste trecho

É muito mais seguro andar Comigo só”.

Estremeci; ... porém, confiante em Seu amor,

Eu disse: “Sim, Senhor”.

O Mestre me tomou a mão ainda tremente,

E com ela o coração, que todo se entregou:

NEle tudo lançando; dEle tudo esperando.

E na vereda estreita, só nEle me apoiando.

A ninguém mais eu vi, senão Jesus somente.

Porém, que horas sublimes, que doce companhia:

E conversou comigo, e trouxe-me confortos,

Exortações, ensinos, e abriu-me tais tesouros

De Seu amor por mim,

Que todo o ser Lhe abri, contando-Lhe os meus ais.

E dEle fui bebendo; e mais, e mais e mais...

Então eu percebi meus passos tão mais leves

E que uma luz sem par cercava o meu caminho –

A luz que só nos vem de andarmos com o Senhor.

E fui andando assim.

Daqui a um pouco mais, ali nós estaremos,

A ver quantos queridos, há tanto separados...

Gozo sem fim será. Juntos, os peregrinos

Terão pra recordar memórias as mais doces,

Da suficiência, aqui, da graça do Senhor.

E ali, nas ruas de ouro – eu gosto de pensar...

Entre as recordações da caminhada aqui,

Que bom será lembrar (toda vez com louvor!)

Aquele dia escuro, aquele trilho estreito

Que Jesus nos chamou a subir, passo a passo,

Confiando nEle só, e provando o Seu braço!

Adaptado

Não há um monte alto sem que haja um vale fundo ao lado.

Não há nascimento sem dores de parto”. – Dan Crawford

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 18/08

domingo, 17 de agosto de 2025

A INSIGNIFICÂNCIA DAS NAÇÕES

 

    “Todas as nações são perante ele como coisa que
não é nada; ele as considera...como um vácuo.” (Isaías 40.17).

Depois de afirmar que as nações são consideradas por Deus como um pingo que cai em um balde e como um grão de pó na balança, agora Isaías diz que todas as nações são como coisa que não é nada; Deus as considera menos do que nada, como um vácuo. Quando Isaías escreveu esta passagem, a Babilônia era a senhora do mundo. Reunia outras nações debaixo de seu guarda-chuva e tinha domínio absoluto sobre elas.

Os impérios do passado, porém, caíram. O Egito cobriu-se com o pó dos séculos. A Assíria perdeu o seu poder. A Babilônia cairia nas mãos dos persas e a Pérsia cairia nas mãos dos gregos. A Babilônia ergueria sua fronte altiva e seria desmantelada. Assim são as nações: levantam-se e caem. Fortes hoje, fracas amanhã. Para Deus essas nações são nada, um zero à esquerda. Para Deus essas nações ricas e poderosas são menos do que nada, são como um vácuo.

A glória delas se apaga. O esplendor delas desvanece. A riqueza delas é transferida para outras mãos e aquelas que estiveram no topo da pirâmide despencam para os vales do esquecimento. Só Deus jamais é apeado do seu trono. Só a glória de Deus jamais desvanece. Só o poder de Deus jamais é confrontado por outro poder maior. As nações soberbas bebem o cálice do fracasso, mas o Senhor Deus jamais enfrentará derrota.

Extraído do livreto Cada Dia – 17/08/25

Confio em Deus

 

Confio em Deus, que sucederá do modo por que me foi dito. Atos 27.25

Alguns anos atrás. Fiz uma viagem aos Estados Unidos em um navio cujo capitão era um crente muito dedicado. Quando nos aproximávamos das costas da Terra Nova, ele me disse: “A última vez que atravessei este trecho, há um mês, aconteceu uma coisa que revolucionou toda a minha vida cristã. Encontrava-se a bordo George Müller. Eu estivera 24 horas na ponte de comando. George Müller procurou-me e disse: ‘Capitão, vim dizer-lhe que preciso estar em Quebec no sábado à tarde’. ‘É impossível’. Respondi. ‘Muito bem, se o seu navio não pode levar-me, Deus achará outra maneira. Há 57 anos que nunca quebro um compromisso. Desçamos até a cabine de mapas. Vamos orar”.

Olhei para aquele homem de Deus e pensei de que asilo de lunáticos teria ele fugido. Eu jamais tinha ouvido coisa semelhante. ‘Sr. Müller’, disse eu, ‘ o senhor sabe a densidade desta neblina?’ ‘Não’, respondeu ele, ‘meus olhos não estão fixos na densidade da neblina, mas no Deus vivo, que controla cada circunstância da minha vida”.

Ele se ajoelhou e fez uma das orações mais simples que já ouvi, e quando acabou, eu iria orar; mas ele pôs a mão no meu ombro e me disse que não o fizesse. ‘Em primeiro lugar, você não crê que Ele atenderá, e em segundo, eu creio que Ele já respondeu, e não há mais necessidade de que você ore”.

Olhei para ele, e ele me disse: ‘Capitão, já faz 57 anos que eu conheço o meu Deus, e nunca houve um só dia que eu deixasse de ter audiência com Ele. Levante-se, Capitão, e abra a porta, e verá que a neblina se foi’. Levantei-me e vi que assim era. No sábado à tarde, George Müller estava em Quebec para o seu compromisso”. – Selecionado.

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 17/08


sábado, 16 de agosto de 2025

INSUFICIÊNCIA DOS RECURSOS

 


     “Nem todo o Líbano basta para queimar,
nem os seus animais, para um holocausto.” (Isaías 40.16).

Depois de abordar a majestade incomparável de Deus em relação à criação e às nações, o profeta Isaías enfatiza a insuficiência humana para agradar ao Senhor. O Líbano é conhecido nas páginas do Antigo Testamento como a nação da mais robusta floresta, sendo possuidor das árvores mais frondosas e da madeira mais nobre. Os cedros do Líbano foram comprados para a construção do templo de Salomão, bem como dos palácios do rei. Os carvalhos do Líbano eram considerados as árvores mais fortes.

Porém, nem todo o Líbano bastava para queimar no altar de Deus. Os animais do Líbano não eram suficientes para oferecer a Deus um holocausto sequer. O profeta Miqueias, nessa mesma esteira de pensamento, pergunta: “Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite?” (Mq 6.7). Quantidade não impressiona a Deus. Abundância de oferta não consegue comprá-lo.

As florestas do Líbano, repletas de madeiras nobres, não eram suficientes para acender as chamas do altar, nem todos os animais seriam suficientes para oferecer a ele uma oferta digna. Os recursos humanos são pequenos demais, limitados demais, para agradar a Deus. Por isso, Miqueias diz que o que o Senhor pede de nós é que pratiquemos a justiça, amemos a misericórdia e andemos humildemente com ele.

Extraído do livreto Cada Dia – 16/08/25


Esperei com paciência

 

Esperei com paciência no Senhor. Salmo 40.1

Esperar é muito mais difícil do que andar. Esperar requer paciência, e a paciência é uma virtude rara. É bom saber que Deus constrói cercas em volta de Seu povo, mas isto se considerarmos a cerca apenas do ponto de vista de proteção. Porém, quando uma cerca é conservada e, sendo uma cerca-viva, vai crescendo tanto que impede a visão do que está do outro lado, o coração começa a imaginar se algum dia ele sairá daquele pequeno círculo de influência e serviço em que está contido. E às vezes é difícil para a pessoa entender por que não pode viver numa esfera maior. É-lhe difícil “brilhar no seu cantinho”. Mas Deus tem um propósito em todos os Seus impedimentos. “O Senhor firma os passos do homem bom”, diz o Salmo 37.23. “E as paradas também”, era a anotação que George Müller tinha ao lado desse versículo, na margem de sua Bíblia. O homem que abrir caminho através das cercas de Deus cometerá um triste engano. Um princípio vital de orientação é que o crente nunca deve se afastar do lugar onde Deus o colocou, enquanto a Coluna de Nuvem não se mover. – Sunday School Times

Quando aprendemos a esperar sempre a orientação do Senhor em todas as coisas, seremos fortes, teremos a força que nos levará a ter um andar sempre equilibrado e constante. Muitos de nós estamos sem o poder que tanto desejamos. Mas Deus nos concede pleno poder para cada tarefa que Ele nos dá. Esperar, manter-nos fiel à Sua orientação, eis o segredo para obtê-lo. E qualquer coisa que sair desta linha de obediência é desperdício de tempo e energias. Esperemos vigilantes pela direção de Deus. – S. D. Gordon

Uma pessoa que é obrigada a estar quieta, em inatividade forçada, e vê passar diante de si as ondas palpitantes da vida, será que a existência precisa lhe ser um fracasso? Não; a vitória é para ser conseguida em ficar parado: em uma espera tranqüila. E isto é muitas vezes mais difícil do que correr nos dias em que podemos estar ativos. Requer maior heroísmo ficar ali e esperar, sem perder o ânimo nem a esperança; submeter-se à vontade de Deus; deixar com os outros o trabalho e as honras dele; ficar calmo e confiante, regozijando-se sempre, enquanto a multidão feliz e atarefada avança e vai embora. É a vida mais elevada: “Tendo feito tudo, ficar firme”. – J. R. Miller

Extraído do livro Mananciais no Deserto – Lettie Cowman 16/08